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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mostra-lhe-ei meu tesouro. 
Antes, deve ir ao Castelo do Dragão. 
Amá-lo. E sentir o bafo quente dele, em suas orelhas.

Você deve ser pra ele única. 
Leve ervas secas também: 
o dragão gosta de baforar fumaça de ervas mágicas.

Ame-o! Esta é a parte mais importante do jogo: 
deve amá-lo como se não existisse nada além daquele Castelo...

Depois de muito amor, encontrará o meu tesouro escondido entre
 a arpa, os dedos e o crânio do Dragão.

Boa sorte.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Amigos mortos sempre voltam para lhe trazer benesses




"Ângical, distrito de Irecê, pertencente à zona fisiográfica da Chapada Diamantina Setentrional. Abrange toda a área do Polígono das Secas, na Bahia. Pertencente à bacia do São Francisco, é também cenário de vultos misteriosos em seus avelozais. Imensa área rural, faz de seus cidadãos respeitadores de lendas que habitam o meio-do-mato. Pequeno distrito religiosamente animado, é deveras crente, o seu povo, em lendas rurais! Terá trovadores analfabetos e poetas que aprenderam a matemática pra trabalhar e a rima pra “ficcionar”, a levar histórias verídicas ao povo! Onde dinheiro é poupado em enterradas botijas. Onde onças ficam a espreita de moças que andam sós pela vegetação. Onde todas as estrelas do céu se juntaram para formar um único raio de luz, dando início aos fins dos tempos...

Entre tantas outras vovós, Dona Rosinha, como é conhecida a senhora Rosa Dias David, é famosa por ser a melhor a entonar as rezas entre as beatas cantadeiras. Respeitada, mantivera uma vida digna a uma pessoa nascida e criada no meio rural de 1930. Morava em uma casa de taipa, grande e de enorme terreiro pras criações! A grande árvore de algaroba que existia no fundo de seu terreiro, fora cenário pra outras aparições inexplicáveis de amigos mortos... Mas, nesta noite, não fora a árvore que oferecera abrigo a seu amigo morto... sim, sua cozinha!

De sono muito leve, acordou com o barulho de vasilhas se batendo em algum lugar no final da casa. Ao se levantar, ouviu sons estranhos que se equiparavam a uma conversa incompreensível. Caminhou. O som da dita conversa ficava cada vez mais nítido, no entanto, sem nexo, sem vogais, vírgulas, separações frasais, ou, se quer, palavra que a levaria ser uma conversa humana. Eram onomatopéias mescladas ao barulho das vasilhas sendo remexidas por algo, e era na cozinha! “um bicho?” pensou ela... Ao adentrar nesse último cômodo da casa, ela percebeu que havia um homem e que este remexia nos seus armários como a procurar algo. Então, ela perguntou:

- o que é?

- cadê suas ferramentas? Onde 'vacê' as guarda?

Ao proferir tal sentença, o indivíduo mostra sua face! Era Antonino. Seu vizinho há muitos anos e que fora também uma paixonite sua na juventude. Depois de adultos, tornaram-se amigos. Era de sua estima, o velho Antonino. Teve grande penar em sua morte, que acontecera na véspera desta noite extraordinária.

Dona Rosa, com toda sua parcimônia e experiência que havia adquirido com esses casos metafísicos, procurou entender o que o morto queria:

- pra quê, Antonino, homem de Deus?

Entre uma frase e outra que por ventura o morto proferia, suas onomatopeias enchiam os ouvidos de Dona Rosa com sons incompreensíveis, porém humanos. 

- Descavar uma botija aqui perto, braubrauooobraubrua brau brau brau... Entoava o seu canto onomatopéico, o morto!

Dona Rosa, temendo a alma do outro mundo que voltara justamente a sua casa, começa a invocar a força de todos os santos que conhecia e a mandar a alma voltar pro outro mundo:

- vai-te, boa alma que Deus levou! Vai-te pra junto do nosso senhor! Vai-te boa alma! Não quero nada contigo, não! Vai-te!

Das onomatopias barulhentas, surgem palavras:

- botija, Rosinha... brau brau brau brau brau... tem dinheiro lá! 

De súbito, como em desespero, Dona Rosa começa a pedir, em alarmantes rezas, que a alma de Antonino volte para onde ela deveria estar:

- volta pro céu, Antonino, homem de Deus! Não quero teu dinheiro, não!

Ao ouvir tal pronunciação, a alma penada de Antonino sentencia sua última posição:

- lhe desconjuro, couro de jacaré! Como é que lhe dão dinheiro e tu num quer?

E some-se da cozinha de Dona Rosa Dias David, assim.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012



Hortência







Falar-lhe-ei teu nome ao beijar teus lábios, 

linda flor do frio...


Com gosto de vinho cabernet... 

minhas palavras serão de acordo com a embriaguez: leve e desmaterializante aos nervos...


Teu corpo nu, será minha fruta;

onde irei buscar a doçura de cada gota extraída deste balsamo perene..


De teus seios, 

sairá todo o precioso líquido da paixão...




E subiremos aos céus das sensibilidades humanas

E gozaremos juntos. 

E juntos sermos felizes... 
Adormecidamente!


"Não vejo motivos, principalmente depois de tanta guerra, pra a existência de exércitos e/ou polícia. Achismo baseado em utopias? Sim. Mas não! Pois, estes não cumpriram, juntamente com a união, o seu dever contratado socialmente com as pessoas votantes nascidas aqui no Brasil! O exército serve apenas para fins descritos no livro O Príncipe de Maquiavel: satisfazer as vontades do governante disfar
çadas em vontades do povo!

Tenho certeza de que o povo não quer tirar o pão da própria mesa e colocá-lo na mesa dessa classe corrupta, ou seja, políticos. Desses ladrões travestidos de gestores públicos. Eu sei gerir minha própria vida, por isso, mereço o direito ao acesso aos bens naturais como a Ilha do Fogo. Não sou uma máquina serviçal em uso para benefício de outrem. Eu sou eu, um indivíduo dotado de capacidades e que procura superar as próprias limitações!"


"Estou a cada dia mais indignado com a nossa história e o nosso Presente!

Estou cada dia menos contente,

pois há algo menor que tenta me conter

que tenta ser o tosador de minha árvore do pensamento!

e tenta me matar, antes de eu morrer..."

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bela senhorita...

A língua quer beijar,
o corpo quer sentir.

mas, os olhos veem uma criança 
que carrega em si os traços do pai.
E a mente, os anos
que passaram depressa demais.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


O Lobo Dentro do Homem





Meu negócio é: 
matar, trucidar pessoas,
fazê-las sangrar!

Tenho medo que, 
de tanto amor, 
ao invés beijar, 
eu arranque a boca, com os dentes,
da mulher amada 
por ser ela tão desejada...

"Amor em demasia 
gera carnificina." 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Cachorro quente com cerveja

Minha filosofia, alegremente, correu de emoção trás do gato,
 minha cadela desumana e toda minhas filosofia de auto-ajuda

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"Que seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu"


Quisera esbravejar com seu gosto ácido de raiva burguesa.
Usando de sua força modelada na salas de malhação,
prendera contra a parede, usando do antebraço, 
o pescoço do jovem bandido.

Seu sentido de justiça burguesa, onde se tem os louros 
somente por aquilo que se faz, o segara; transformando
um jovem que também quer consumir, em escória
da humanidade.

Por isso, a angustia de toda a sua vida margeada 
às belas coisas da sociedade de consumo, fê-lo
empunhar o canivete; sem que o burguês enraivecido 
por haver perdido... um relógio, percebesse.

Mas, sentiu a fria lâmina a perfurar seu estômago!
Ao primeiro golpe, uma dor profunda absorve 
o que lhe era de belo nos olhos, pois, entre o medos
colecionados, o de cortes avulsos em sua pele, era
o pior! 

Sucumbira, pois! 

Depois de tantos desesperados golpes,
caíra ao chão como a um grosso tronco
de árvore que é desmatado ilegalmente. 



terça-feira, 14 de agosto de 2012


A poetisa e o jegue 




Então, a jovem senhora que acabara de se levantar,
lívida e sorridente,
conseguindo até voar...
escreve por entre as nuvens
como se estivesse adejar:

"não vens hoje?"

Com o maior esmero caligráfico,
qual a burro letra,
escreve o jovem de pau apaixonado:

"voltei nestante..."